Apresentação

terça-feira, 2 de julho de 2013

De quem é o corpo da mulher?


As feministas do movimento "Marcha das Vadias"  defendem o direito das mulheres sobre o próprio corpo em todos os aspectos, em resumo reivindicam o respeito de qualquer ser humano, mas especificamente do sexo masculino, para que não se achem no direito de se ser donos das mulheres. Eles se acham tão donos que quando passam na rua, assoviam ou chamam de gostosa, quando nem sequer conhecem a mulher. Sei que alguns cristãos e cristãs tendem a culpar a mulher pelo mau comportamento do homem, isto é, culpam a forma provocadora que as mulheres se vestem como justificativa para que o homem fique à vontade para expressar seu pensamento.

Eu concordo com muitos argumentos da tal marcha, pela discussão que é proposta, mas para nós cristãos, esse tipo de movimento não nos mobiliza muito por causa das causas que ele puxa junto, como o aborto, para nós injustificável, uma causa para além de denunciar o machismo que leva a violência sexual à mulher. Entendo que uma coisa leva a outra, já que mulheres que se dizem dona de seus corpos com direitos, se acham no direito de tirar a vida.  Vejamos os seus argumentos:




As razões são verdadeiras e legítimas e não vejo como a Igreja discordaria, mas a solução "daí podemos abortar" é que não cabe. E não é puro moralismo da Igreja, ou por achar que Deus não se importa com as mulheres, mas há por trás uma história do pensamento da Igreja, do modo como Deus tem revelado as coisas aos homens desde a primeira mulher e o primeiro homem que indica o caminho a que a Igreja se refere. E não se trata de "patriarcalismo" como as feministas estão destacando, estão usando esta palavra como sinônimo de machismo. Caberia num livro esclarecer a posição da Igreja  que é atacada como conservadora, da Idade Média de maneira pejorativa. Mas não é simplesmente bater o pé e afirmar o pensamento dos papas, sacerdotes e bispos porque são homens, simplesmente, mas porque são sucessores dos apóstolos, a quem Cristo encarregou de transmitir toda a doutrina da Igreja, reafirmar o Evangelho que ele deixou. Existe uma relação de poder que é dado por Deus a estes primeiros homens, cabendo a eles, dotados do Espirito Santo inspirar e transmitir toda a Verdade, como se pode ver pelos milagres que eles fizeram em nome de Cristo, coisa que eles não faziam antes, mas só depois que  receberam o Espirito Santo. A contrário do que pensam as mulheres que criticam a Igreja, a imagem da mulher é engrandecida ao mais alto dos Céus na imagem de Maria, por suas virtudes, submissão, sim à Deus, assim como Jesus (ser do sexo masculino) também foi submisso. Diante dos homens, Nossa Senhora está na mais alta hierarquia, acima dos anjos e todos as santas e santos. Daí a IGREJA tira a lição do que agrada a Deus. A igreja vive hoje a geração Mariana, submissa à Nossa Senhora, quando os grandes patriarcas tiveram seu papel na Igreja antes de Cristo.
Poderia-se escrever um livro com o título "A mulher e a Igreja", e haveria de se colocar dois lados, um que degrine a imagem da mulher e outro que eleva. Não vamos aqui ser parciais e dizer que os cristãos não contribuíram ou não fizeram parte da cultura que submergiu a mulher. 
Eu como cristã, que busco estudar a minha fé, entendo quando um santo diz ""A mulher é a arma do diabo" ( Santo  Antônio), pois remete a Eva, que se deixou seduzir facilmente a serpente (mas quem de nós não seria? não sejamos hipócritas). Também Adão teve culpa, mas não vamos entrar no mérito nessa parte. Mas acho uma desqualificação gratuita, apenas para denegrir a mulher, pensamentos como "A mulher tem o veneno de uma áspide e a malícia de um dragão" S. Gregório, '"De todas as bestas ferozes nenhuma é mais perigosa que a mulher" S. João Crisóstomo. E mais do Antigo Testamento: "Não permito que a mulher ensine" S. Timót. 1ª II-11
"Nem ensine nem cante nas igrejas o que seria torpeza" Corint.1ª XIV-35



"Nem tenha a cabeça descoberta, porque não só a voz mas 

também os cabelos da mulher são coisas indecentes" S. Paulo
Isso são retratos de uma época, é claro que existe a parte  
cultural, pois são homens que escreveram, até mesmo porque 
 estes pensamentos do antigo testamento a respeito das  
mulheres não são verdades de fé, mas expressão da época.  
Tanto é que há trechos na bíblia que sugerem ao escravo  
serem submissos e obedientes aos seus senhores e hoje a  
igreja definitivamente não defende a escravidão do homem 
pelo homem.


Em contrapartida, para entender que apesar disso, na  
própria Escritura está escrito aquilo que as feministas não  
leram com atenção para criticar: 
“Como, porém, a igreja está sujeita a Cristo, assim também  
as mulheres sejam em tudo submissas ao seu marido.”  
(Efésios 5.24).
  
“Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Efésios 5.25)
Digamos que seja uma submissão consentida, entrega  mútua,  porém não escravidão. Uma caminhada conjunta, uma  parceria, uma verdadeira relação de amor, se falta de uma  lado, pesa do outro.
O Papa Paulo VI fez um discurso muito bonito sobre as mulheres, que reafirma a imagem da mulher que predomina, a de mãe, mas sem naturalizar, já que a feministas não querem ser associadas unicamente a tal imagem e eu entendo porque, porque não querem ser predestinadas a uma coisa que cabe a elas decidirem. E no discurso do Papa ele fala das mulheres, casadas ou solteiras, e atribui a nós a competência sublime de salvar o mundo. Querem mais? 
Tem o discurso do Papa João Paulo II que mostra  a atualidade da Igreja sobre a mulher, sem se contradizer em relação ao aborto.:
"Pensando, depois, a um dos aspectos mais delicados da situação feminina no mundo, como não lembrar a longa e humilhante história - com frequência, « subterrânea » - de abusos perpetrados contra as mulheres no campo da sexualidade? No limiar do terceiro milênio, não podemos permanecer impassíveis e resignados diante deste fenômeno. Está na hora de condenar vigorosamente, dando vida a apropriados instrumentos legislativos de defesa, as formas de violência sexual, que não raro têm a mulher por objecto. Mais, em nome do respeito pela pessoa, não podemos não denunciar a difusa cultura hedonista e mercantilista que promove a exploração sistemática da sexualidade, levando mesmo meninas de menor idade a cair no circuito da corrupção e a permitir comercializar o próprio corpo.

Por outro lado, diante de tais perversões, quanto louvor
 merecem as mulheres que, com amor heróico pela sua
 criatura, carregam uma gravidez devida à injustiça de
 relações sexuais impostas pela força; e isto não só no 
 quadro das atrocidades que, infelizmente, se verificam nos 
 contextos de guerras, ainda tão frequentes no mundo, mas 
 também nas situações de bem-estar e de paz, não raro 
 viciadas por uma cultura de permissivismo hedonista, na 
 qual prosperam facilmente também tendências de 
 machismo agressivo. Nestas condições, a escolha do aborto,

 que permanece sempre um pecado grave, antes de ser uma 
 responsabilidade atribuível à mulher, é um crime que deve 
e ser imputado ao homem e à cumplicidade do ambiente 
 circundante"

Essa é a Igreja moderna a que tanto chamam de conservadora. As mentes modernas de hoje não querem entender que algumas coisas não podem ser modernizadas, pois se não entrariam em contradição. Não, não seria mudança de paradigma, mas uma contradição! Por exemplo, é justamente o caso do aborto. Como pode Deus criar a vida e atribuir direito às mulheres de tirá-la, se Ele é o autor da vida. No caso de estupro, o estuprador é o culpado ( e ele pagará cada centavo a Deus, tenham certeza que seu crime não será encoberto!) e tudo que a mulher tiver que passar nessa vida, a humilhação, todo o sofrimento, Deus cobrará dele sim! E a mulher receberá as graças de Deus por sua luta, por seu sofrimento, quem sabe em dobro, muito mais., mas se a mulher optar pelo aborto, ela terá sua "recompensa", terá o "alívio", largará o peso da cruz e ficará livre, mas também não vai ressuscitar em Cristo porque ela cometeu um crime aos olhos de Deus para salvar a si. É como disse Cristo Quem quiser salvar a própria vida, perdê-la-á, mas quem perder a própria vida por Minha causa, salvá-la-á» (Lc 9, 24). Claro que é possível a reconciliação com a Igreja, em vida, para obter o perdão de Deus e salvar a vida eterna. É valor cristão, é entendimento cristão de que não da pra ter uma vida 'joinha aqui', sem sofrimento algum, porque o homem não sabe viver em harmonia, já se perdeu em si mesmo, está sem rumo, sem Deus.
Jó é um exemplo blíbico da calmaria que se transforma em 
 desolação, na fé que é testada e provada justamente no 
 sofrimento. Ele vivia em paz, era rico e feliz, mas o demônio 
 resolveu tentá-lo para provar pra Deus que ele cairia, pois 
 para ele é muito fácil amar a Deus quando se está tudo bem , quero ver quando a coisa desandar, será que ele manterá a fé? E ele foi testado e provado em sua fé, foi fiel. Muito maior foi sua recompensa, após perder tudo.




Aí, lá vem as feministas e os feministas querendo que abramos mão de "nossas crenças", então vamos fechar as bíblias e parar o culto a Deus de mais de 2.000 anos. Será que o mundo seria um lugar muito melhor sem Deus? Na verdade, essa pergunta nem caberia em nossas cabeças, já que Ele que criou tudo isso aqui, é inconcebível! Ora, Deus bem que podia nos abortar de uma vez e pararíamos de atazaná-lo, de ofendê-lo, de insultá-lo, de incomodá-lo em nossas existências insignificantes.
Bom da pra ver que temos alguma chance, pois estamos vivos ainda. Não por nossos méritos, mas por Sua infinita bondade, paciência, sabedoria e amor.
Quando eu digo que não da pra abrir mão de nossas crenças, é porque eu quero que vocês tolerem a minha fé, como eu estou tentando tolerar as reivindicações destas mulheres, só até onde nossos argumentos não entram em conflito. É isso que gostaria escrevendo o post, que tentassem entender o que está por trás de nossa "crença" que para nós é a verdade. Apesar das diferenças, é possível a tolerância. Eu falando por mim mesma, tolero e não quero interferir no seu livre arbítrio, muito menos Deus! A Igreja defende a vida e deve se posicionar, mas não decidir por ninguém e jamais irá criar lei humana alguma para decidir pelas mulheres ou coisa alguma. A Igreja militante pode até ir às ruas, mas só vai dizer o que pensa, nada mais. A bancada evangélica quer interferir demais, concordo, embora seja a vontade de Deus, que seus "fetos" vivam. Porém, os meios de Deus são outros, e interferir assim é interferir no livre arbítrio que Ele mesmo criou, em sua Sabedoria. Amar a Deus não é uma obrigação, não é imposto pra ninguém. Nem sequer Deus quer que as pessoas encham as Igrejas por medo, mas simplesmente por amor. Ele deseja ser correspondido, porque Ele amou a gente primeiro, assim como nós amamos nossos filhos no ventre, e depois desejamos que eles nos amem, que correspondam com nosso cuidado, nosso zelo.

Em resposta à pergunta do título que já foi respondido pelas feministas, mas para nós cristãos ficamos com a verdade do Evangelho que diz que o corpo, seja de homens ou mulheres, é templo do Espirito Santo, onde ele age, onde pode habitar quando permitirmos. Veja, nunca é uma invasão, mas sempre exige o "sim" de cada um. O Espírito Santo não habitará num corpo em pecado. 


sexta-feira, 31 de maio de 2013

Do livro: O Diabo existe: eu encontrei-o


Conta as experiências de exorcismo do Frei Benigno, em Palermo, Itália.

O CASO AMBROGIO – Parte 2 

Comportamento durante os exorcismos

             Em todos os exorcismos, quando Ambrogio entrava em transe, apesar de ser baixo, magro e frágil, tornava-se violento, agressivo e com uma força tal que três homens dificilmente conseguiam segurá-lo num colchão colocado no chão.
             As orações tornavam-se muito mais violentas durante o rito da imposição das mãos com a invocação do Espírito Santo e quando lia o trecho de Ezequiel 28, 11-19. Com grandíssima raiva, começava a gritar para que parassse: << Pára, stafermo de padre!>> - dizia-me.
              Depois se eu evocasse Jesus, ele fazia questão de me dizer com satisfação que fora ele a matá-lo: <<Eu matei-o.>>

              Uma vez, a uma ordem minha, disse-me que era Satanás; outra vez, que eram sete; e ainda outra vez, que eram seis, do quais Lúcifer e Asmodeu. Só uma vez me disse todos o nomes dos que estavam presentes: Lúcifer, Asmodeu, Meridiano, Besta e Astarot.
              Ainda hoje me lembro das suas blasfêmias contra Deus, contra a Virgem Maria e contra Santa Gema Galgani, por quem Ambrogio nutria uma grande devoção.
              Lembro-me dos palavrões que me dizia.
              Também recordo as cuspidelas que me chegavam com uma prrcisão de atirador especial; por isso, eu era obrigado a tapar-lhe a boca com uma toalha.
              Lembro-me do que aconteceu no dia 19 de Março de 2002, quando durante o exorcismo apareceram no corpo de Ambrogio diversas cruzes, um triângulo e o 666*, e ele vomitou uma pena de ave.
              Alguns dias antes, depois de ter orado durante meia hora de noite e depois de ter ido para a cama às duas, e ter adormecido, Ambrogio despertou uma hora depois no cemitério da sua terra, sentado na tumba de uma sua tia que, em vida, fora bruxa. Para voltar a casa, teve de saltar com grande dificuldade os muros do cemitério, já que o portão estava fechado. No entanto, conforme me informou o próprio Ambrogio, não será possível fazer o mesmo percurso no sentido inverso pelo modo como foram construídos os muros do cemiterio.
            Quando eu invocava sobre ele a intercessão da Bem -aventurada Virgem Maria, gritava-me que não falasse com ela:< <Não ligues àquela!>>
            Quando eu punha a Bíblia sobre o seu corpo, dizia-me: <<Tira daqui esse monte de papel>>.
            Um dia, em que sofri muito por causa das orações do exorcismo, suplicava-me: <<Deixa de atormentar-me.>>
            Outra vez, pelo contrário: << Vais pagar-mas!>>
            E ainda outra vez: << Esta noite irei ter contigo para te bater!>>
            No dia 5 de Fevereiro  de 2002, ele estava particularmente irado; voltou-se para mim e disse: <<Estás cansado. Acabarei por te vencer. Eu mato-te.>>
            Um dia declarou-me: <<Sou o príncipe deste mundo e arrastei comigo metade do céu. Satanás reina! Não vês que todos me seguem? - Embora depois tivesse de admitir: - Tenho poder sobre os homens porque eles me dão.>>
        Os meses que precederam a libertação definitiva de Ambrogio foram marcados por diversos distúrbios. Apareceram no seu corpo, mas não durante o exorcismo, diversos sinais: muitas cruzes de cabeça para baixo, uma delas na testa, o 666 e uma estrela de cinco pontas com o 666.


A arma da ironia

          
            Já falei disto no meu livro Dalla filosofia all´esorcismo, ma quero recordá-lo também aqui.
        << O Maligno, ao falar-me de Ambrogio com ódio infernal, quis que eu soubesse: "Fá-lo-ei sofrer ainda mais. Vou reduzi-lo a um farrapo. Irei matá-lo." Como eu sabia que Ambrogio oferecia os sofrimentos que ele lhe provocava, para o crescimento do Reino de Deus, reagi, utilizando a arma da ironia: "Aprendi, nos estudos de teologia - disse-lhe-, que é um ser inteligentíssimo; mas, pelo que estás a dizer-me, parece justamente  que não és e vou demonstrar-to. Não compreendeste que Ambrogio oferece os sofrimentos que lhe provocas pela salvação do mundo? Não compreendes que, assim, és tu, que pensas que o venceste fazendo-o sofrer, quem acaba por ser derrotado? Não compreendes que, agindo assim, tornas-te, contra a tua vontade, instrumento nas mãos de Deus para a construção do seu Reino? Onde está a tua inteligência?"
            Diante desta minha provocação irônica, o Maligno, humilhado, não se rendeu, mas desistiu, indo-se embora.
           Repentinamente, Ambrogio saiu do transe e, como se tivesse disso despertado de um sono profundo, perguntou: "Mas o que está a acontecer?"
           "Nada - respondi. - Está tranquilo. Foste libertado. Agradece ao Senhor."
            Durante aquele exorcismo, que durou cerca de duas horas, o corpo de Ambrogio, sob a ação do Maligno, tinha gastado muitíssimas energias, tendo-se debatido furiosamente e oposto as suas forças às de quatro pessoas muito robustas que o mantinham imobilizado. Haveria de estar fisicamente destruído; mas, em vez disso, levantou-se como se tivesse repousado a noite inteira e voltou para casa tranquilo, sorridente e feliz.
[trecho suprimido]

<< Um dia, eu recitava o texto latino do Ritual antigo (tenho a faculdade de fazê-lo, concedida expressamente pela Santa Sé e obtida pelo Arcebipo de Palermo); quando proferi a palavras dirigida ao Maligno: "Tu, autor de incestos; tu, chefe daqueles que fazem sacrilégios; tu, mestre das ações mais perversas; tu, professor dos hereges; tu, inventor de todas as obscenidades ", ele gritou um sim, muitas vezes repetido, mas com um tom que exprimia toda a sua satisfação e todo o seu ódio aos homens. Era como se me tivesse dito: "Sim, é verdade o que estás a dizer e gozo imensamente com isso!">>

          Uma inteligência aguda

          Num outro dia, quando perguntei-lhe: << Porque desobedeceste a Deus?>>, o Maligno deu-me uma resposta profunda do ponto de vista teológico> << Porque não tolerava Ele (=Jesus. O Maligno nunca pronuncia o nome de Jesus e ainda menos o de Maria) pudesse se amado mais que eu.>>
          Noutra circunstância, deu-me uma resposta diferente à mesma pergunta, mas que completa a primeira:<< Porque não tolerava que vós, homens, fôsseis amados mais que eu.>>
         Dizia que se tratava de uma resposta, teologicamente profunda, e apresentei as sua motivações no meu livro Dalla filosofia all´eorcismo que julgo ser útil reproduzi-las aqui:
        <<De São Pedro sabemos que "Jesus Cristo, tendo subido ao Céu, está sentado à direita de Deus, e a Ele e submeteram Anjos, Dominações e Potestades." (1Pe 3,22).
         De São Paulo sabemos com maior exatidão que Deus ressuscitou dos mortos Cristo Jesus e o fez sentar-se à sua direita, isto é, tornou participante do seu poder soberano, acima de todos os principados e potestades, de todos os poderes e dominações. Também sabemos que Deus pôs tudo debaixo dos seus pés e, com este poder todas as coisas, o constituiu chefe da Igreja que é o seu Corpo (cf. 1, 20-23).
           Pois bem, tendo Deus Pai constituído Jesus Cristo chefe da Igreja, que é o seu Corpo, concluiu-se que, onde estiver a Cabeça, aí estará necessariamente o Corpo.
          Portanto, como o Pai mandou a Cabeça sentar-e à sua direita, tornando-a participante do seu poder soberano, assim acontece também com o Corpo.
          E, como o Corpo obteve de Deus Pai poder sobre todas as coisas e foi constituido por Ele acima de todos os principados e autoridades, de todos os poderes e dominações, assim também o Corpo.

[trecho suprimido]

            O Maligno não quer aceitar nada disto. Na sua inveja e ódio, fruto do orgulho, não tolerou nem que Jesus, na sua humanidade, fosse tão exaltado em Cristo Jesus, fôssemos também mais amados que ele. Por isso, desobedeceu a Deus: "Eu não tolerava que Ele pudesse ser mais amado que eu. Não tolerava que vós, o homens, fôsseis mais amados que eu">>.
             Uma resposta verdadeiramente profunda que revela, em Ambrogio, não um desdobramento ou duplicação de personalidades, mas a presença nele de uma inteligência aguda que não pode ser a limitada de Ambrogio, incapaz destas profundidades teológicas.

[trechos suprimidos]

           A 2 de Julho, Ambrogio teve de voltar a receber a oração do exorcismo que foi a última. De fato, passado um mês, acontecia a libertação definitiva.
            Também neste último exorcismo, ao cabo de cerca de uma hora e meia de oração, vendo que o Maligno não se ia embora, recorri ao expediente de 15 de junho. Fui buscar o Santíssimo Sacramento e abençoei Ambrogio com a píxide. Teve o mesmo efeito que antes: a sua libertação.
             No entanto, quando regressei, depois de ter levado o Santíssimo Sacramento à igreja, ele tinha voltado a possuir Ambrogio que entrara de novo em transe.
             Por isso, continuei a repetir o exorcismo. Mas, vendo que não se ia embora, ameacei-o de que iria novamente buscar a Eucaristia.
            Com esta ameaça, elem cheio de medo e a tremer como uma árvore sacudida pelo vento, começou a gritar em altos berros: <<Não! Não o faças!>> Agarrou-me np hábito para não me deixar andar, fazendo-me cair no chão. Quando voltei à saleta com o cibório, dirigi-me a Jesus, dizendo: << Senhor, só Tu o podes libertar. Peço-te que intervenhas com poder.>>
           Repentinamente, o Maligno foi-se embora e Ambrogio, despertando como que de um sono profundo, começou a louvar e a bendizer ao Senhor.

[parte suprimidas]

No mês de Agosto, Ambrogio foi internado no hospital. Pois bem, enquanto lá esteve. ouviu distintamente uma voz que vinha do exterior dizer-lh: << ESTOU CANSADO DE TI, JÁ NÃO TE QUERO MAIS!>> Naquele momento, estava ao seu lado um amigo e um frade conventual.
          Imediatamente, Ambrogio - conforme ele próprio me referiu - sentiu como que um esvaziamento, como se alguma coisa tivesse saído dele e desapareceu aquela sensação de confusão que tinha. FOI O INICIO DA SUA LIBERTAÇÃO DEFINITIVA. De fato, o seus distúrbios começaram a desaparecer GRADUALMENTE.
         
[trechos suprimidos]

Ao concluir, uma pergunta

          Alguém poderia perguntar: <<Mas porque é que o Senhor permite que uma pessoa seja possuída pelo Maligno?>>
          Deixo a resposta a Ambrogio que, um dia, num momento em que não estava sob a ação do Maligno, me fez esta confidência: <<Agradeço ao Senhor por esta possessão. Graças a ela descobri o valor da Eucaristia. Hoje não consigo deixar de participar diariamente na Santa Missa e comungar todos os dias. A Eucaristia é para mim o oxigênio que respiro>>
       [trechos suprimidos]
Portanto, o Senhor retirou benefício não só para ele, mas também para o mundo inteiro, pelo qual Ambrogio oferecia todos aqueles tormentos que o inimigo lhe infligia.
         Numa entrevista, já depois da libertação, Ambrogio disse: <<Agradeço ao Senhor por tudo o que vivi. Posso dizer que conheço esta realidade um pouco mais que os outros. Não sinto o peso do passado... pelo contrário! Vi verdadeiramente que Deus fundiu o seu coração com o meu mais profundamente. Entrou nas minhas misérias para fazer-me ressurgir.>>


    


*O número da Besta (cf. Ap 13, 18)

quinta-feira, 14 de março de 2013

Exorcismo


Do livro: O Diabo existe: eu encontrei-o


Conta as experiências de exorcismo do Frei Benigno, em Palermo, Itália.

O CASO AMBROGIO – Parte I *

             Fenômenos inquietantes

Ambrogio nasceu em 1978. Aos cinco anos, fez a primeira Comunhão e tornou-se, na paróquia da sua terra, uma espécie de ajudante e confidente do pároco. Naqueles anos, tudo era normal no seu agir.
            Aconteceu, porém, que no dia 1 de Outubro de 1993, junto da casa de uma amiga de família, um quadro de Nossa Senhora das Lágrimas de Siracusa, que lhe tinha sido oferecido por Ambrogio, começou a lacrimejar.
            Logo depois, o mesmo aconteceu em casa dele com outro quadro da Senhora das Lágrimas, primeiro, começou a transudar água e, depois, a lacrimejar sangue.
            Em Dezembro, outras imagens sagradas, ainda e sempre em casa de Ambrogio, começaram a transudar, abundantemente, água e também uma espécie de óleo, e ainda a lacrimejar sangue.
            No dia de Páscoa de 1994, quando ainda não tinha completado dezesseis anos, Ambrogio teve uma aparição da Senhora que lhe confiava uma missão especial a favor de sua terra.
            No dia seguinte de manhã, teve uma visão: viu uma cruz luminosa e ouviu uma voz que lhe dizia que haveria de sofrer muito.
            Durante todo o mês de Maio de 1994, a aparição da Senhora no dia de Páscoa começou a repetir-se, diariamente, às dez horas da noite, numa capela da sua terra, ocasionando um corre-corre de pessoas que iam procurar Ambrogio para ouvir as mensagens da Mãe de Deus.
Seguiram-se aparições de Jesus, de vários Santos e de pessoas defuntas.
Ainda em 1994, Ambrogio viveu um fenômeno de levitação, ao mesmo tempo que as aparições, que continuaram durante todo aquele ano, lhe desaconselhavam a que se aproximasse do seu pároco, o que, evidentemente, não podia deixar de despertar dúvidas acerca da sua origem divina.
Depois, começaram outros fenômenos: era atingido por uma espécie de flagelação e de crucificação, com o aparecimento de arranhões no tórax. Também se formaram cruzes na testa e no resto do corpo; posteriormente (1995), apareceram estigmas nas mãos e nos pés. Também teve manifestações de paresia, isto é, paralisia leve, parcial ou temporária.
Tudo isto lhe causava dores atrozes.
Entretanto, formara-se em volta de Ambrogio, um grupinho de pessoas, que o seguia e rezava com ele, enquanto continuava aquela espécie de flagelação-crucifixão.
Contudo, bem depressa, começaram a surgir fatos inquietantes que acabaram por lançar a suspeita de uma intervenção diabólica em todos estes fenômenos; de fato, na casa de Ambrogio, começaram a rebentar, ao mesmo tempo, todas as lâmpadas elétricas, a caírem no chão todos os quadros com imagens sagradas e, às vezes, a tremer os vidros de todas as janelas, mesmo quando não ventava.


    Testemunho de um sacerdote não exorcista
           
            Entretanto, um sacerdote não exorcista começou a seguir Ambrogio durante algum pouco tempo. Sobre ele escreveu:

<<Um dia, fui chamado à cabeceira de Ambrogio para levar-lhe a Comunhão. Contorcia-se com dores. Tinha arranhões nas costas.
            Outro dia, fui chamado de noite por causa de barulhos noturnos. Naquela ocasião, encontrei o quarto de Ambrogio numa grande desordem e vi uma porta despedaçar-se, literalmente. Ambrogio não queria ninguém no seu quarto e quando tudo isso cessou, ele, destruído e cheio de medo, estava debaixo da cama. Noites tremendas daquele gênero foram cerca de dezesseis>>.
            As coisas que se verificaram naquele período – segundo o testemunho daquele sacerdote – foram as seguintes: << Objetos a voar, destruição de móveis, arranhadelas nas paredes, cheiro de enxofre, pétalas e botões de rosa a sair da boca de Ambrogio. No seu corpo, apareciam sinais como IHS [1]* ou o esboço do rosto de um homem projetando-se a partir do umbigo. Depois, era erguido no ar por uma força invisível, sendo necessário que alguém o segurasse na cama para que isto não acontecesse. >>


                  Não vou à casa daquele corvo negro

            Todas estas coisas lançaram ainda mais suspeitas sobre aquelas aparições que tinham marcado a vida de Ambrogio, a partir de 1993.
            Por isso, o sacerdote pensou mandá-lo ao padre Matteo La Grua, frade menor conventual e, então, o único exorcista da diocese de Palermo.
            Quando falou com ele, Ambrogio teve uma reação impulsiva: << Não vou à casa daquele corvo negro.>> No entanto, foi lá, em finais de 1995.
            Segundo o que aquele sacerdote deixou escrito, na manhã em que devia partir, <<num estado de transe, quebrou todas as estátuas da casa e queimou todas as imagens sagradas.>>
            Durante a oração do padre Matteo La Grua, sem que Ambrogio perdesse a consciência, aconteceu o fenômeno da levitação: << Eu estava elevado acima do chão – recorda ele próprio – e via as cabeças de todos. Sentia- me muito alto e muito rígido, como se fosse um mastro. >>

            Quando voltou à casa, Ambrogio encontrou a mãe cheia de medo, porque as imagens sagradas, que haviam sido queimadas, também estavam marcadas com cruzes queimadas e invertidas. Numa delas, a queimadura do rosto de Jesus formava uma cruz invertida e um rosto negro com cornos e, por baixo, havia uma inscrição: Satanás.
Ainda tenho a fotografia destas imagens.
O sacerdote que tinha acompanhado Ambrogio ao padre Matteo e que, no regresso estava com ele em casa, diante daquela cena, disse-lhe: “Meu filho, ou fazes um caminho de conversão ou perdes-te.”

            Aquelas palavras provocaram nele uma reação violenta. Não podendo fazer de outro modo, mas ainda consciente, começou a praguejar e fugiu para os campos. Quando o sacerdote o alcançou, deu-lhe uma bênção, que lhe provocou uma segunda reação, seguida de desmaio. Levado para casa, acordou e começou a chorar.

            Depois, durante uma oração de libertação, o sacerdote perguntou:
            --Quem és tu?
Ambrogio, embora consciente, sentiu-se obrigado a responder:
--Satanás.

O padre Matteo voltou a exorcizá-lo até o fim de 1996.
Com as orações de exorcismo – segundo o que o próprio Ambrogio me referiu – desapareceram as aparições, os fenômenos de flagelação-crucificação e os estigmas. Permaneceram alguns distúrbios – deixou escrito aquele sacerdote – como insônias, fortes arrepios, de frio, sensação de algo viscoso, com que Ambrogio se sentia envolvido, fenômenos de paralisia dos membros e, às vezes, de todo o corpo, enevoamento da vista. Em geral, todas estas coisas aconteciam entre as vinte e três e as três da madrugada.
Com o início dos exorcismos (finais de 1995), as reações de Ambrogio às orações atenuaram-se. Mas, durante os meses de Junho e Julho de 1996, tornaram-se muito violentas. Além disso, era-lhe impossível comungar, porque vomitava a hóstia consagrada.
Depois, tinha como que convulsões que cessavam passado cerca de uma hora e meia de oração, podendo, assim, voltar à normalidade.
Na noite de 21 de Julho – recorda aquele sacerdote -, depois de uma crise, ele quis comungar. Teve dificuldade em engolir, mas não vomitou.
            Contudo, sentiu dores de estômago muito fortes e um enfartamento. Depois, ficou temporariamente paralítico e entorpecido durante cerca de meia hora, durante a qual se continuou a orar por ele.
            De dia, era assaltado por dúvidas sobre a possessão e, à noite, voltava a viver estes dramas. Em geral, depois do exorcismo ou de uma oração de libertação, conseguia repousar pela primeira noite.


            Objetos vomitados
           
            Entretanto, o padre Matteo pensou confiar Ambrogio ao exorcista da sua diocese que, havia pouco, fora nomeado para aquele ofício. Este ocupou-se do rapaz durante quase quatro anos, de finais de 1996 a 2000.
            Durante um exorcismo, Ambrogio vomitou pétalas, uma fitinha azul com sete nós, uma cruz formada com um fio de ferro, um prego com cabeça quadrada, um corninho de coral e pedaços de vidro: todas estas coisas, que ainda conservo, foram-me entregues por Ambrogio. Noutra vez, os vidros e a porta da saleta dos exorcismos começaram a tremer e não havia vento.
          Um dia, de regresso a casa, depois do exorcismo, Ambrogio teve reações violentíssimas contra a sua mãe: com um pontapé fez literalmente cair uma das paredes do seu quarto; depois, pegou na máquina de costura, ergueu-se e atirou-a contra um jovem que, naquele momento estava em sua casa; mas não o atingiu.


            Uma moça belíssima

            Entretanto, Ambrogio era denunciado por diversas pessoas por lhes ter enviado cartas e feito telefonemas anônimos.
      Na verdade, existiram; mas, enquanto ele se encontrava em transe, do que, evidentemente, não se lembrava.
            As denúncias provocaram o seu isolamento. Todos o abandonaram, inclusive os seus familiares.

            Desde então, começou a ouvir uma voz a dizer-lhe: “Doravante, pertences-me e não tens escapatória. Deus pôs-te de lado. Deus não te ama. És nosso.”
            Aquele abandono da parte de todos provocou em Ambrogio sentimentos de grande prostração. Sentia-se uma nulidade e tinha decidido acabar com tudo, atirando-se da janela de cabeça para baixo.

            Mas, quando já estava para realizar sua decisão, alguém veio socorrê-lo.
            Ao abrir a janela, viu uma belíssima rapariga que o fixou nos olhos. Aquele olhar fulminou-o: naquele instante, a tentação de suicídio desapareceu e, inundado de grande paz, caiu num sono profundo.

            Sonhou que a rapariga o acariciava, lhe beijava a testa, lhe fazia beijar o crucifixo que trazia consigo e lhe dizia: “Telefona às minhas Irmãs e diz-lhes que rezem por ti. Eu estou junto de ti.”
            No dia seguinte, ao acordar, sentiu necessidade de rezar. Pegou no livro Pregate, pregate [Rezai, Rezai,] e encontrou uma imagem de Jesus Crucificado com o endereço das “Irmãs de Santa Gema”.


                  Distúrbios de Ambrogio

            Em 2000, Ambrogio teve de voltar ao padre Matteo, porque o exorcista da sua diocese, talvez com medo, tinha decidido não lhe fazer mais exorcismos e confiar a sua libertação aos meios ordinários: Missa, Confissão e Comunhão.
            De fato, fui eu quem teve de ocupar-se, porque havia pouco tinha sido nomeado exorcista da diocese de Palermo (13 de Abril) e, para aprender, fui falar com o padre Matteo que, ao entregar-me o Rito degli esorcismi, me mandava fazer tudo, embora ele estivesse presente.
            Foi assim que, nos aposentos do padre Matteo, conheci Ambrogio e lhe fiz o primeiro de uma série de exorcismos. Estávamos em Maio de 2000.
            Desde início, entrou logo em transe e manifestou-se nele o Maligno com uma violência incrível.
            Deitado de costas no chão, fincando-se nos pés, deslocava-se com uma velocidade impressionante de um lado para o outro da sala para escapar à minha oração.
Um dia, o sapato saiu misteriosamente do seu pé e foi bater no padre Matteo, presente no exorcismo.
            Dizia que o seu nome era “Legião” e que possuía Ambrogio desde o nascimento. Não tencionava ir-se embora, porque a alma dele – dizia-lhe pertencia e não pensava deixá-la.
            Continuei a seguir Ambrogio, tanto nos aposentos do padre Matteo (de Outubro de 2000 a Julho de 2002).
            Durante estes anos, mas também antes, ele sentiu sempre sonolência na oração e uma grande repugnância por ela e também pela Eucaristia. As suas noites foram marcadas por insônias persistentes que, todavia, nunca lhe causaram cansaço. De fato, os seus dias caracterizavam-se por uma hiperatividade e por uma força extraordinária. Disso ainda se recordam aqueles que foram seus vizinhos.
            Ao entrar na igreja, sentiu sempre o cheiro de cadáver em decomposição, fenômeno que se acentuava quando se aproximava do Sacrário ou quando, mesmo com grande dificuldade, ia comungar.
            Às vezes, esse mau cheiro emanava do seu corpo, coisa que também os outros sentiam.
            Ao participar na Missa, era obrigado a ouvir blasfêmias horríveis e sentia uma forma interior que o levava a proferí-las em voz alta, que ele se esforçava por controlar. Quando temia não conseguir, fugia, indo para a sacristia.
            A participação na Missa foi-lhe sempre um suplício, porque então era sovado, cujos sinais lhe marcavam o corpo. O mesmo acontecia sempre que, na conversa, se abordavam temas religiosos.
            Depois, quando tinha de preparar tudo para a celebração da Santa Missa, ficava de tal modo baralhado que precisava de muito mais tempo.
            Por fim, sentia uma tendência obsessiva que o impelia a matar animais enquanto criaturas de Deus, e acontecia que, quando se punha em oração, saíam da sua boca blasfêmias contra o Senhor, em vez das orações que ele julgava estar a rezar. Mas ele não se dava conta disso. Só quem estava à sua volta o ouvia.
(continua...)



[1] Jesus Salvador dos Homens